Por Leonardo Zumerkorn Pipek – Estagiário em Neurologia Translacional

Na tentativa de entender as causas das doenças neurodegenerativas, pesquisadores têm estudado algumas proteínas que podem estar relacionadas com a morte dos neurônios.

Um estudo publicado na revista científica “Structure” sobre esclerose lateral amiotrófica (ELA) mostrou evidências de que a estabilização de proteínas, nos casos em que há uma mutação em um gene SOD1 que causa ELA, que ocorre em torno de 2% dos pacientes, pode ser um dos caminhos para reverter o processo ou até mesmo preveni-lo nesses pacientes.

A partir de uma mutação encontrada, os pesquisadores foram capazes de supor que há um processo natural nas células que seria capaz de estabilizar a proteína SOD1 e, portanto, evitar que a doença se desenvolvesse.

Esse processo celular, conhecido por fosforilação, é capaz de mudar a conformação da proteína, evitando que se formem os trímeros responsáveis pela degeneração do sistema nervoso, ou seja, a proteína que tem uma forma errada acaba se juntando com outras proteínas e esse agrupamento seria responsável pelo dano causado na doença.

Durante o estudo, pesquisadores utilizaram uma cultura de células (procedimento no qual células são criadas em um meio artificial para tentar simular como ocorreria no organismo vivo) que apresentavam a mutação no SOD1 juntamente com a mutação relacionada com o processo de fosforilação. Os achados inicias indicam que as células com ambas as mutações sobreviveram mais do que aquelas somente com a mutação SOD1 que causa ELA.

Nessa perspectiva, há a necessidade de mais pesquisas no assunto para confirmar o papel da fosforilação. Caso esse processo seja de fato eficiente, ele pode ser alvo de futuros medicamentos que visam reverter ou diminuir a progressão da doença.

Confira o artigo original no link:

https://www.sciencedaily.com/releases/2016/09/160922124305.htm