Por Isabela de Castelo Branco e Souza – Estagiária em Neurologia Translacional

Um estudo apoiado pela ALS Association e desenvolvido por Leonard Petrucelli, Ph.D. da Mayo Clinic em Jacksonville e outros pesquisadores de instituições como Stanford University, mostrou que, reduzindo a expressão da proteína SUPT4H1, é possível diminuir os níveis circulantes de 3 substâncias tóxicas formadas pela expansão do gene C9orf72, o qual é o representante, de acordo com a revista Science, da causa genética mais comum para ELA nos Estados Unidos e Europa. O estudo (publicado em 12/08/2016) mostra, portanto, indícios favoráveis para o desenvolvimento de terapias que reduzam a expressão dessa proteína, podendo, assim, contribuir para o tratamento de pacientes com ELA portadores da expansão do gene C9orf72.

O DNA humano coordena o funcionamento do corpo ao fazer com que haja a produção de proteínas que participam da preservação das condições adequadas para a sobrevivência do organismo, e os genes são os pedaços do DNA encarregados de produzir as proteínas. A “expansão do gene C9orf72” é uma alteração (mutação) no DNA de modo a gerar proteínas diferentes daquelas que seriam esperadas, além de outros produtos também danosos ao organismo. Até então, os esforços para o desenvolvimento de tratamentos para as complicações geradas pela presença dessas substâncias perigosas se baseavam na tentativa de diminuição da ação desses compostos.

No estudo publicado, o novo alvo foi o fator de transcrição Spt4 presente em leveduras, o qual é o equivalente à proteína SUPT4H1 em humanos. Tanto o Spt4 quanto a proteína SUPT4H1 têm a função de desencadear a formação de compostos tóxicos a partir do DNA mutado. Percebeu-se nesse estudo que, reduzindo-se a quantidade de Spt4 nas leveduras, menos substâncias prejudiciais ao organismo são geradas. Além disso, resultados similares foram obtidos a partir de testes em outros modelos animais e células humanas, sendo que, nesse segundo exemplo, não surgiram sinais óbvios de toxicidade.

Dessa forma, a redução da proteína SUPT4H1 emerge como possível nova abordagem para o desenvolvimento de terapias para pacientes que, em decorrência de mutação no gene C9orf72 em especial, desenvolveram ELA. Cabe ressaltar que os estudos atuais com meios diferentes, mas ainda visando à redução da expressão das regiões expandidas do gene C9orf72, continuarão em prosseguimento.

O “Projeto ELA Brasil” foi, inclusive, pioneiro nacional no estudo das mutações no gene C9orf72 em pacientes com ELA em larga escala, tendo implementado suas análises desde 2010 e as aperfeiçoado desde então.

Confira o artigo e a notícia na íntegra em:
http://science.sciencemag.org/content/353/6300/708.long
http://www.alsa.org/news/media/press-releases/new-protein-target-081216.html